Kaixo Bilbao! Primeiras impressões da capital da Biscaia
- Pulga no passaporte

- 13 de mai. de 2018
- 5 min de leitura
Atualizado: 10 de jun. de 2018
Kaixo guztioi! Ongi etorri Bilbo!
Calma, calma, gente! Não é vírus, e nem vocês entraram na página errada! A frase acima é apenas "Olá pessoal! Sejam bem-vindos à Bilbao!" em basco - ou pelo menos é o que o tradutor do Google me diz, hehe. Está confuso? Perdido? Está a se perguntar que raios de Biscaia é essa do título do post? Calma, vamos esclarecer!

Os bascos são um grupo étnico de origens desconhecidas, mas que há muito tempo (desde pelo menos o século I d.C) ocupam uma região no norte da Península Ibérica, ao pé dos Pirineus e às margens do Golfo da Biscaia. Essa região, denominada País Basco, atualmente se encontra dividida entre a França e, sobretudo, a Espanha. A língua falada por eles é o basco e, ao contrário do que se poderia imaginar, não tem nada em comum com as línguas latinas (ao contrário, por exemplo, do catalão) - deu para perceber pela frase ali no começo né?

Bilbao - em basco Bilbo (que nem o do Senhor dos Anéis) e em português de Portugal Bilbau (rima pobre, será?) - é a maior e mais populosa cidade do País Basco, e também a capital da atual província espanhola da Biscaia, hostentando os títulos de "Muy Noble y Muy Leal e Invicta". Soa familiar, não? (vamos ver quem tem acompanhado esse blog ou não, hehe)
Localizada próxima ao mar, às margens da chamada ría de Bilbao, a cidade tem raízes portuárias e um importante passado industrial - chegou até a ocupar, no século XX, o posto de segunda região mais industrializada da Espanha, atrás apenas de Barcelona. O declínio dessa atividade desencadeou um forte processo de decadência urbana até que, na década de 90, deu-se início a uma arrojada estratégia de renovação. O grande ícone desse processo foi a construção do museu Guggenheim, que ainda hoje é o principal cartão-postal e símbolo da cidade.

Eu, particularmente, não fugia desse senso-comum. Antes da minha visita, o museu era a única imagem que tinha da cidade na cabeça. Felizmente, estava prestes a descobrir um lugar que ia muito além disso!

Após umas 16h de viagem desde o Rio, era por volta das 19h, hora local, quando enfim aterrizei em uma Bilbao completamente encoberta. O outono mal começara, mas já estava muito mais para prenúncio de inverno do que para final de verão. De volta à Europa, pensei.
O Aeroporto de Bilbao - "La Paloma" (código IATA: BIO) é bem pequeno, e não demorou para recuperar a mala e sair. Ele fica localizado a uns 12 km a norte da cidade, e tem ligação à mesma através de uma linha de ônibus da empresa Bizkaibus. Segundo o site da companhia em maio/18, o serviço opera das 6h15 às 00h, a intervalos de 15 minutos, e o bilhete de uma viagem custa 1,45€ . Ele efetua 4 paradas na cidade, e tem como destino a rodoviária, lá chamada de Termibus. Aqui abaixo segue um mapa desenhado sobre a base do Google, com indicação do aeroporto, da rodoviária e do Guggenheim, entre outros, para ajudar vocês a se situarem melhor na cidade.

Em condições normais, eu certamente teria pego o ônibus. No entanto, como estava cansado da viagem, carregando a minha mudança (inclusive notebook e livros), e não tinha certeza se iria chover, optei por tomar um táxi já do aeroporto. A viagem levou menos de meia hora, e saiu por 24€.
Como ainda não havia escurecido, pude apreciar a paisagem no caminho, uma grande descida desde o aeroporto - que fica em uma região alta - até o vale da ría de Bilbao. A cidade, que se encontra ao longo desse vale, apresenta vários desníveis e é rodeada por morros. Não por acaso, como vim a descobrir depois, ela é conhecida carinhosamente pelos seus habitantes como "el bocho", o que quer dizer "o buraco".

Bom, o que eu esbanjei no transporte, não quis esbanjar na hospedagem (afinal, esse era só o começo de uma aventura de 2 anos). Fui de albergue mesmo, o melhor que consegui encontrar na minha pesquisa de antevéspera. Optei pelo Bcool Bilbao e, preciso dizer, foi ótimo! O albergue é bem novo, estava muito bem cuidado e limpo, além de ser muito bem pensado. Explico: fiquei em um dormitório para 6 pessoas, só que, ao invés de 3 beliches, as camas eram todas independentes umas das outras (ou seja, sem saculejos), além de possuirem luzes independentes de leitura e ainda uma cortina para dar uma certa privacidade e proteger da luz ambiente. Que eu possa me lembrar, nunca tinha visto nada parecido, então achei fantástico! Além disso, cada cama tinha um gaveteiro grande (onde couberam bem minha mochila e a sacola mágica), e a mala pode ficar num canto do quarto sem atrapalhar a passagem. Ah, tinha banheiro no quarto também!

Além disso, o local conta com um terraço ao ar livre, uma sala de convívio e um bar, onde são servidos tapas (bem-vindos à Espanha!). Pela manhã, o café é servido também no bar, em esquema similar: há uma variedade de tapas, dentre a qual se escolhem alguns, além de alguma bebida. Fiz a reserva pelo Booking e, incluso café da manhã, a diária saiu por 21,50€.
O albergue se localiza fora da área central, mas bem perto da mesma. Fica bem próximo à estação de trem e ao "Casco Viejo", a parte medieval da cidade. Já o Guggenheim fica a uns 2 km dali, ou seja, uma distância boa para se ir a pé, passeando. Nada como um banho merecido, uns tapas no albergue e a euforia de poder conhecer um local novo para espantar o cansaço. Já estava escuro, mas era hora de sair para bater perna!

Desci até a beira da ría e tracei um objetivo simples: chegar até o Guggenheim. Queria explorar a paisagem noturna e, principalmente, ver como ficava o prédio iluminado. Até então, como eu não sabia bem o que esperar da cidade, minhas expectativas recaíam apenas no museu... que bom!
Que agradável surpresa, então, ao me deparar com um passeio fluvial riquíssimo, repleto de esculturas e espaços públicos variados, sem falar nas inúmeras pontes, cada a qual com seu estilo e personalidade. Merece destaque a Zubizuri, ou ponte branca, de autoria do Santiago Calatrava (o mesmo do Museu do Amanhã, no Rio). A foto não transmite exatamente a realidade, mas a achei especialmente charmosa à noite! (Será que é coisa de engenheiros e arquitetos achar ponte charmosa? Hehehe)

Arquiteturas à parte, chamou-me atenção também que havia várias pessoas na rua, de todos os tipos: desde os esportistas noturnos até famílias, casais e grupos de amigos. Não posso dizer se eu dei sorte de estar no lugar certo, na hora certa, mas a impressão que fiquei não podia ser melhor: uma cidade convidativa e vibrante! E claro, tem ainda o Guggenheim, e suas formas impressionantes!

Era só uma caminhada de reconhecimento, mas acabou sendo um super passeio. Fiquei em êxtase, observando, explorando, subindo e descendo ruas e pontes como se não houvesse amanhã. De fato, perdi totalmente a noção do tempo (sem falar no fuso, que ajuda a nos deixar meio desorientados) - quando vi, já passava bem de meia noite! Nas ruas ainda havia movimento, agora especialmente rumo aos bares do bairro medieval...
Nessas horas que costuma bater aquele dilema entre o dia e a noite: acordar 1h mais cedo ou seguir 1h mais noite adentro? Viajar é sempre repleto de escolhas difíceis! Ou quase... estava eu a passear distraído pela marginal, nesse momento já vazia, quando me surge das sombras uma aranha gigantesca, e começa a me perseguir. Por sorte, com muito esforço, consegui fugir e voltar para a segurança do albergue! O nome dessa aranha? Maman (mãe, em francês). Ok, mãe, era hora de ir dormir mesmo :)

Mais de Bilbao em posts futuros. Até lá! ;)
- Luis
Post anterior: a compra da passagem na véspera e a viagem de ida


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