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A compra do vôo de ida: da ansiedade à alegria

  • Foto do escritor: Pulga no passaporte
    Pulga no passaporte
  • 7 de mai. de 2018
  • 5 min de leitura

Atualizado: 2 de set. de 2018

Quem já parou para planejar uma viagem sabe que a compra das passagens aéreas costuma ser uma das etapas mais críticas. Não apenas por corresponder, em geral, a uma fatia significativa do orçamento da viagem, mas sobretudo porque os preços dos vôos são altamente imprevisíveis, podendo às vezes variar bastante em um mesmo dia! Então, como evitar gastar demasiadamente na compra? Bom, não faltam na internet boas páginas e postagens de blogs com dicas para economizar nessa hora - uma pesquisa por "economizar passagens aéreas" no Google retorna apenas 228 mil resultados!


De forma resumida, no meu entender, as dicas giram em torno de 4 princípios chave - os PRAF, que eu busco aplicar quando planejo uma viagem:

  • Paciência, para pesquisar em vários sites, em vários dias e momentos diferentes;

  • Referência, ter uma ideia de qual um preço médio para o trecho e, com isso, estabelecer o que seria um bom valor e quais os limites para desembolso;

  • Antecedência, para conseguir preços mais interessantes, já que, quanto mais em cima da hora, mais as companhias se aproveitam do seu desespero para extrapolar nos preços; e

  • Flexibilidade, tanto de datas quanto de roteiro, já que às vezes há grandes diferenças de um dia para outro, ou entre 2 aeroportos próximos.

Vista do litoral, a norte do Porto. Descobrindo o mundo a partir da janelinha!

Diante disso, vocês podem imaginar o meu incômodo ao chegar a uma semana do início das aulas do mestrado ainda sem qualquer notícia nem expectativa de chegada do meu visto - e, por consequência, sem passagem comprada, por não ter a menor previsão de quando eu poderia viajar! Ao mesmo tempo, eu seguia acompanhando os preços dos vôos para Portugal em datas próximas, e os valores não estavam nada animadores. Estava tentando não sofrer por antecipação, mas já imaginava a facada que iria levar.

Essa história do visto é um capitulo à parte, mas como o processo mudou no final do ano passado, vou poupá-los do drama, hehe. Enfim, já estava resignado que iria perder um mês de aulas quando, na tarde da quarta-feira anterior ao início letivo, recebo um telefonema do consulado e a feliz notícia de que o visto estava pronto, e eu poderia retirá-lo no dia seguinte pela manhã!

Passado o choque inicial e aquele momento de incredulidade com o que eu tinha acabado de ouvir, corri para a internet checar as passagens. Hora de respirar fundo e aplicar o PRAF tanto quanto possível, hehehe (a antecedência já era né, mas bom, paciência!). O objetivo principal era chegar ao Porto até domingo, para poder não perder nada. Nerd? Sim, talvez. Cinco anos após a formatura eu ia voltar a estudar, estava ansioso!

Ótimo, existe um vôo direto Rio - Porto pela TAP às quintas-feiras! Mas... lembram o que falei da antecedência? Como vocês podem imaginar, estava impraticável - pouco mais de R$5.000, só a ida! Para o Porto com escala em Lisboa, a partir de R$4.500 e só o vôo Rio - Lisboa, R$4.200. Para vôos de ida e volta ficava ainda mais caro, ou seja, não estava compensando.


Desespero? Não ainda. Lembram que falei de flexibilidade? Era hora dela entrar em ação! Na Europa, não faltam opções para se deslocar entre as grandes cidades: há os ônibus, os trens e os vôos, das companhias regulares e das low cost. Assim sendo, o que eu precisava primeiro era de uma passagem para a Europa, depois eu via como ir ao Porto.


Pois bem, sempre faço minhas pesquisas de passagens no Google Flights. Além de comparar os preços entre as companhias e ter um calendário indicando os valores para diferentes datas, esse site tem um recurso de mapa que eu adoro: escolhe-se a data e o aeroporto de partida, e ele mostra no mapa os preços para voar até diferentes destinos.


O mapa (recurso "Explorar Destinos") do Google Flights

Foi assim que eu descobri que, se voasse para Bilbao (na Espanha) na quinta, e depois de Bilbao para o Porto no domingo, o total dos vôos era R$2.500. Detalhe: tudo pela TAP, e com escala em Lisboa. Sim, naquele mesmo voo que, se eu comprasse só até Lisboa, me sairia quase 2 mil a mais!! Qual a lógica disso, não faço a menor ideia. Só sei que consegui minha passagem por menos do que eu esperava, ia chegar ao Porto antes das aulas, e de quebra "ganhei" um stopover em Bilbao! Uhul! \o/

As 24h seguintes foram uma correria louca. Arrumar a mala, ver seguro, papelada, reservar albergue em Bilbao e no Porto, retirar o visto e ainda me despedir das pessoas (então, viajo amanhã!). Ufa! Tudo resolvido, 24h depois lá estava no aeroporto do Rio, pronto para embarcar!

Um detalhe importante: no ano passado a TAP mudou a franquia de bagagens. Há agora 4 categorias distintas: desde a Discount, que não permite despachar mala, até a Plus, que dá direito a 3 peças. No entanto, o peso foi reduzido de 32 para 23 kg, para qualquer das categorias.

As diferentes opções de tarifas da TAP para o vôo Brasil - Portugal

Assim, por mais que a minha mala estivesse com espaço sobrando, ela estava com 27 kg, 4 a mais que o permitido. Por sorte, além de chegar com tempo ao aeroporto, fui atendido por uma funcionária extremamente amável que, ao invés de apenas me cobrar o excesso de bagagem, me disse que não faria sentido eu pagar uma fortuna nisso e sugeriu transferir coisas da mala para uma sacola de mão. Corri em uma loja, comprei um chocolate e pedi a maior sacola que eles possuíssem - pronto! 23 kg na mala, sacola em mãos, lá vou eu!

Tchau! Fui!

Entre o Rio e o Porto foram 4 vôos distintos com a TAP, já que tanto na ida a Bilbao quanto na volta tive que fazer escala em Lisboa. Bom, e que tal o serviço da companhia? No vôo internacional houve alguns pequenos poréns, como um atraso de 45 min na partida sem qualquer satisfação e o meu pedido do jantar que veio trocado (o peixe virou carne). Apesar disso, o serviço foi sempre simpático, a comida estava boa e ainda pude tomar um vinho português para já entrar no clima e ajudar a relaxar. Acho que eu estava tão feliz por estar nesse avião (e mais ainda, sem pagar R$4.200!) que nem me permiti querer reclamar de qualquer coisa, hehe. A aeronave estava bem cheia, mas consegui ir sentado no corredor (bom para esticar as pernas), e minha vizinha era uma senhora portuguesa bastante conversadeira.


Já para os vôos menores, tanto de Lisboa a Bilbao quanto depois para o Porto, o avião é bem menor, um turbo-hélice (um ATR 72-600, a quem interessar). Há uma restrição maior quanto às malas de mão, já que simplesmente não cabem na cabine, mas pude embarcar todas as vezes com minha sacola sem problemas. Apesar de pequeno, o avião é confortável e para minha surpresa serviram até lanche - um pastel de nata, no trecho final para o Porto. O que mais eu poderia querer como um cartão de boas vindas a Portugal? :)

Lanche a bordo - pastel de nata!

Quem quiser emendar no post da minha chegada, é só ver o "Um Porto para chamar de lar". E no próximo post vamos explorar o inesperado destino do stopover, Bilbao. Até lá!


- Luis

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